Arquivo mensal: agosto 2020

[Graduação – UFRJ] Teoria Literária I – 2020.2

EMENTA

O curso pretende desdobrar, a partir de textos literários e críticos, uma pergunta – o que é literatura? – em muitas. O conceito de literatura é de difícil definição – e o curso não pretenderá fixar um conceito rígido, claro e distinto do que seja a literatura. Pelo contrário, demonstrará como o exercício da teoria literária é o de flexibilização, problematização e questionamento do conceito diante da multiplicidade de objetos – radicalmente diferentes entre si – que ele tenta abarcar. Além disso, na tarefa de abertura do conceito de literatura, diferentes linguagens e objetos textuais serão convocados à reflexão. Por fim, o curso pretende demonstrar a historicidade do conceito de literatura e da discussão sobre textos literários, que remonta, pelo menos, à Grécia Antiga e à discussão sobre a relação da arte com a realidade a partir do conceito de mimesis.

PROGRAMA

Semana 1: Apresentação do curso + Como ler

 

Semana 2: O que é literatura? Algumas tentativas 1

[Leitura: T. Eagleton, “Introdução” a Teoria literária, uma introdução]

 

Semana 3: O que é literatura? Algumas tentativas 2

[Leitura: A. Cícero, “A poesia e a crítica”; L. Callegari e F. Moreira, “O negro na história da literatura brasileira”]

 

Semana 4: Literatura, o centro e a margem 1

[Leitura: G. Rosa, A terceira margem do rio]

 

Semana 5: Literatura, o centro e a margem 2

[Leitura: J. L. Borges, Baco Exu do Blues]

 

Semana 6: A morte do autor

[Leitura: A. Compagnon]

 

Semana 7: Sistema literário e Modo de produção literário

[Leitura: A. Cândido, “Sistema literário” e V. Woolf “Um teto todo seu”]

 

Semana 8: Stela do Patrocínio, poesia?

[Leitura: S. Patrocínio, Reino dos bichos e dos animais]

 

Semana 9: Mímesis 1: Platão

[Leitura: A república]

 

Semana 10: Mímesis 2: Aristóteles

[Leitura: Poética]

 

Semana 11: Stela do Patrocínio, mímesis?

 

Semana 12: Avaliação do curso

BIBLIOGRAFIA

ARISTÓTELES. Poética. Trad. Paulo Pinheiro. São Paulo: Editora 34, 2017.

BORGES, Jorge Luis. O Aleph. Trad. Davi Arrigucci Jr. São Paulo: Companhia das

Letras, 2008.

__________. O livro dos seres imaginários. Trad. Carmen Vera Cirne Lima. São       Paulo: Globo, 1989.

CALEGARI, Lizandro Carlos; MOREIRA, Fábio Martins. “O negro na história da

literatura brasileira”. IN: Litterata | Ilhéus. vol. 6/2. jul.-dez. 2016. pp. 40-58.

CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Ouro sobre

Azul, 2007.

CICERO, Antônio. “A poesia e a crítica.” IN: A poesia e a crítica. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

COMPAGNON, Antoine. O Demônio da teoria: literatura e senso comum. Trad.

Cleonice Paes Barreto Mourão. Belo Horizonte: UFMG, 1999.

EAGLETON, Terry. Teoria literária, uma introdução. Trad. Walternir Dutra. São

Paulo: Martins Fontes, 2006.

PATROCÍNIO, Stela do. Reino dos bichos e dos animais é o meu nome. Rio de Janeiro: Azougue, 2001.

PLATÃO. Íon. Trad. Cláudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

__________. República. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFBA, 2001.

ROSA, Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2001.

WOOLF, Virgínia. Um teto todo seu. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Nova

Fronteira: 1985.

[Graduação – PUC-Rio] Estética I – 2020.2

OBJETIVOS

  1. Apresentação de conceitos básicos da história da Estética diante de questões da arte moderna e contemporânea;
  2. Atualização de questões primordiais da reflexão estética para a arte contemporânea;
  3. Discussão do problema da historicidade da percepção humana e por extensão da estética como “filosofia da arte”.

EMENTA

O curso pretende apresentar parte do debate filosófico acerca da arte contemporânea a partir dos diagnósticos da transformação de seu estatuto na modernidade. Diferentes filósofos que se debruçaram sobre os temas da estética, isto é, da ciência da percepção, bem como sobre os da filosofia da arte, viram na modificação do estatuto das obras uma transformação da própria experiência humana ao longo da história. É o caso de Hegel, Nietzsche, Heidegger, Walter Benjamin, Theodor W. Adorno, Jacques Rancière, Susan Buck-Morss e Giorgio Agamben, para nos limitarmos a alguns exemplos. Diagnóstico pressentido também por muitos artistas, o que resultaria, em grande medida, no surgimento das diferentes vanguardas que povoaram o mundo das artes no século XX. O curso privilegiará a leitura de textos filosóficos que tentam compreender a metamorfose das artes em suas relações com a história.

PROGRAMA

Aula 1: Apresentação do curso

Aula 2: Estética: ciência da percepção ou filosofia da arte?

Aula 3: A modernidade como crise da arte (Hegel)

-O caso Homero x Kafka

Aulas 4: A crise da arte como crise da modernidade: pobreza de experiência (W Benjamin)

Aula 5: Desorientação do sujeito (Lukács)

-O caso romance ; Brás Cubas

Aula 6: A transformação sentimental (W Benjamin)

-O caso Baudelaire

Aula 7: Arte estranha 1: O gabinete do Dr. Caligari

Aula 8: Arte estranha 2: A definição de V. Chklovsky e o estranho

Aula 9: Massa e governos autoritários 1: Freud e o narcisismo

Aula 10: Freud e o narcisismo

-O caso Frida Kahlo

Aula 11: Massa e governos autoritários 2: Adorno e a indústria cultural

Aula 12: Adorno e Horkheimer e a indústria cultural

-O caso Andy Warhol

Aula 13: Zelig

Aula 14: Avaliação 1

 

Aulas 15-18: Massa e governos autoritários 3: Benjamin e a perda da aura

Aulas 19-20: O caso Futurismo

Aula 21-22: O caso Surrealismo

Aulas 23-24: De volta à crise da percepção: Susan Buck-Morss e a anestesia social

Aulas 25-26: A partilha do sensível: Rancière e a estética como política

Aula 27: “lugar de corpo é no corpo, lugar da cabeça é na cabeça”

-Stela do Patrocínio e Bispo do Rosário

Aula 28: Avaliação 2

BIBLIOGRAFIA

ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro:

Jorge Zahar, 1985

AGAMBEN, Giorgio. “O que é o contemporâneo”. IN: O que é o contemporâneo e

              outros ensaios. Trad. Vinicius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009.

BAUDELAIRE, Charles. “A perda da auréola.” Trad. Aurélio Buarque de Hollanda. IN:

              Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.

BENJAMIN, Walter. “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica”. Trad. M.          Lisboa. In: Benjamin e a obra de arte. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

__________. “Sobre alguns temas em Baudelaire”. IN: Obras Escolhidas Vol. III. Trad.

José Carlos Martins Barbosa e Hemerson Alves Baptista. São Paulo: Brasiliense,

1989.

BUCK-MORSS, Susan. “Estética e anestética: o ensaio sobre a obra de arte de Walter

Benjamin.” Trad. Rafael Lopes Azize. Travessia: revista de literatura, nº 33.

CHKLOVSKY, Victor. “A arte como procedimento.” In: TOLEDO, Dionísio O. Teoria

              da Literatura: formalistas russos. Trad. Ana Filipouski et al. Porto Alegre:

Globo, 1973.

CRARY, Jonathan. Técnicas do Observador: visão e modernidade no século XIX. Rio

de Janeiro: Contraponto, 2012.

DEBORD, Gui. A sociedade do espetáculo. Trad. Estela dos Santos Abreu. Rio de

Janeiro: Contraponto, 1997.

DIDI-HUBERMAN, Georges. A sobrevivência dos vagalumes. Trad. Vera Casa Nova

e Márcia. Arbex. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.

FREUD, Sigmund. Obras completas (Cia das Letras). São Paulo. Vols. 12 e 15.

HEGEL, G. W. F. “Introdução”. IN: Cursos de Estética. Vol. 1. Trad. Marco Aurélio

Werle. São Paulo: EdUSP, 2001.

__________. “Paradoxos da arte política”. IN: O espectador emancipado. São Paulo:

Martins Fontes, 2012.

PATROCÍNIO, Stela. Reino dos bichos e dos animais. Rio de Janeiro: Azougue: 2000.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível. Trad. Mônica Costa Netto. 2. ed. São          Paulo: Exo Experimental; Editora 34, 2009.

SÜSSEKIND, Pedro. Teoria do fim da arte. Rio de Janeiro: 7letras, 2017.

[Online] Oficina de poesia: Poesia e animalidade

Poesia e animalidade: do animal político à política animal

Esta é uma oficina pra ler e fazer poesia. Vamos ler sobre a questão animal em textos poéticos e testar alguns exercícios a partir de conceitos mobilizados pela literatura especializada e pela filosofia: animal político, poética animal, zoopoética, sintoma, corpo, humanidade, animalidade e zoopolítica. Ao longo desses testes, vamos também ler alguns poemas contemporâneos que apostam em caminhos semelhantes aos propostos aqui. A oficina irá envolver também pequenas leituras para casa, e exercícios propostos a cada semana. Além disso, teremos dois dias (convivência e mutualismo) para compartilhamento dos resultados em grupo. Uma pequena antologia será disponibilizada para os alunos. Será oferecida 1 bolsa integral para cada 5 pagantes.

As aulas serão ministradas pela plataforma Zoom.

1 Zoon politikón: mais animal do que político
2 Pontos de vista: as posições do animal e o sujeito
3 Convivência e mutualismo
4 Educação sentimental: o sintoma além do corpo humano
5 Mais político que humano: Zoopolítica
6 Convivência e mutualismo

Duração dos encontros: 2h + 30 min de intervalo
Segundas-feiras
Datas: 20 e 27 de julho, 3, 10, 17 e 24 de agosto
Turma da tarde: 15h-17h30
Turma da noite: 18h-20h30
Vagas por turma: 15