Arquivo da categoria: canteiro de obras

Nas oficinas literárias, o fazer se configura, ao mesmo tempo, como um saber e uma produção. Não são tanto os produtos em si (o verso, o poema, o livro) que estão no centro do interesse, nem a pura reflexão (o que se pode dizer sobre tais produtos ou a partir deles). Embora sejam importantes no processo, o fazer mesmo é que os supera e encarna. Em outras palavras, nas oficinas, a relação dos oficineiros e dos oficinantes com a prática é já, de saída, tanto poesia quanto crítica.

Materialidade e Concretude | Passagens Escola de Filosofia

Oficina de poesia: Materialidade e Concretude
Maio de 2017
Local: Escola Passagens de Filosofia
4 encontros com 2h de duração

No início de 2017 conversei com Márcia Tiburi a propósito da realização de uma oficina de poesia na Escola Passagens de Filosofia. A escola começou esse ano, e vem desenvolvendo laboratórios de escrita. Além dos alunos inscritos, carreguei comigo 3 companheiros de Oficina Experimental de Poesia: Frederico Klumb, Julya Tavares e Lucas Matos.

Fiquei comovido em saber, algum tempo depois, que uma das alunas, a Camila, incorporou, em sua pesquisa de Mestrado em Atenção Psicossocial, bem como em seu trabalho como psicóloga em um Hospital Público na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, algumas ferramentas compartilhadas durante os nossos encontros; especialmente a técnica de imanência e analogia que desenvolvi com a cartografia verbal. Continuar lendo

Tradução formas plásticas e formas verbais | MAM-RJ

Oficina de tradução: formas plásticas e formas verbais.
Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (interior e jardim).
Outubro de 2015.
4h de duração.

Foi a primeira vez que dei uma oficina de criação no MAM-RJ, e, se não me engano, a segunda vez que dei uma oficina experimentando a tradução como forma, como propõe Walter Benjamin. Foi em 2015, no contexto do Prêmio PIPA, a convite da artista plástica Virgínia Mota.

O exercício envolveu a exploração de uma série de ferramentas da criação e da tradução literária, e a tarefa de traduzir um poema qualquer. A tradução seria feita para outra língua, dentro do português, a ser descoberta a partir das formas plásticas que se apresentavam, ali, no Prêmio PIPA. Essa técnica resultaria, posteriormente, em um experimento que realizei com um poema de Sylvia Plath, publicado na revista Escamandro, com apresentação de Luiz Guilherme Barbosa. Continuar lendo

Oficina de Sonhos | CIEP Tancredo Neves

Oficina de criação a partir de sonhos
31/07/2017
Local: CIEP Tancredo Neves
2h de duração

Mais importante do que se perguntar sobre o que acontecerá com a poesia quando ela for levada às mais distintas atividades — tão distantes do mergulho na linguagem que poéticas tradicionais e contemporâneas justamente defendem como ação fundamental de qualquer poesia — é se perguntar o que acontece com essas atividades quando, querendo ou não, de maneira mais ou menos consciente, os envolvidos nessa atividade se molham descuidadamente (às vezes apenas as mãos, às vezes os cabelos) nesse mar de palavras e conexões linguísticas que configura o fazer poético. Um fazer que suspende a lógica do tempo, e a todo momento parece interromper as outras atividades. E o faz menos por qualquer qualidade do contato com esta água estranha do poema, do que por mero contágio. O que acontece, por exemplo, quando profissionais da educação do município do Rio de Janeiro interrompem a primeira reunião de organização do semestre para escrever?

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Poesia e as formas do agir comunitário | UFSJ

Oficina: Poesia e as formas do agir comunitário
24 a 27/07/2017
Local: Universidade Federal de São João del-Rei | Inverno Cultural
16h de duração

Aulas:

1. O gênio criador versus o gênio coletivo
2. Futurismo e Dadaísmo
3. Surrealismo e onirologia
4. Pós-modernismo BR e coletivos hoje

Foram quatro dias intensos, com uma pequena turma de 7 participantes, a maioria composta de universitários graduandos ou pós-graduandos, e uma aluna de 13 anos.

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Tradução PTPT | CMAHO

Oficina de Tradução PT-PT
28/01/2017
Local: CMAHO
4h de duração

Em 2016, fui convidado pela artista argentina Julieta Hanono para colaborar com sua exposição “Ils, Ellos, Eles” (com curadoria de Izabela Pucu, então diretora do Centro Municipal de Artes Helio Oiticica) com um Laboratório de Tradução Desorientada, Desfuncionalizada e Suspensa. Traduzi alguns trabalhos de autoficção da artista para diferentes linguagens. O procedimento foi parecido com o que eu já realizara, no mesmo ano, com um poema de Sylvia Plath, I am Vertical (publicado na revista Escamandro). O trabalho para a exposição resultou em uma sala, um laboratório, com as traduções suspensas e uma mesa que dava algumas ferramentas para que os visitantes se aventurassem em continuar o trabalho, virtualmente infinito. Continuar lendo

Beijo grego | Oficina Experimental de Poesia

Em 2015, ofereci uma oficina de tradução pt-pt na Oficina Experimental de Poesia. Reproduzo aqui o texto que publiquei à época no site do coletivo.

Com a oficina “Beijo grego”, propus exercícios para a tradução de poemas do português para o português. A partir de uma tradução coletiva do poema de Manuel Bandeira (“A Realidade e a Imagem”), partimos para a tradução individual de um poema contemporâneo. Foram traduzidos poemas de Mariana Botelho, Leonardo Marona, Lucas Matos e de Augusto Meneghin.

Os resultados foram impressionantes. Cada transcriador (esse tradutor que assume a sua inventividade) privilegiou diferentes aspectos dos poemas para a sua tradução. Continuar lendo