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Claro-escuro em carvão :: capim de Guilherme Gontijo Flores

Texto originalmente publicado em
https://www.revistapessoa.com/artigo/2528/
claro-escuro-em-carvao–capim-de-guilherme-gontijo-flores

Tornou-se usual referir-se ao “contemporâneo” como insígnia distintiva de boa poesia, seja pelo encontro estético da composição com o atual estágio das forças de produção literária (quando se diz, por exemplo, que determinada escrita “é ainda muito moderna”, tem-se em mente certa linha evolutiva dessas forças), seja pela capacidade de sintonização com questões políticas urgentes (é o caso de quando se diz, por exemplo, que determinada escrita é “atravessada por um novo regime de organização dos corpos”, supostamente paralelo ao “nosso”, “exterior” à própria escrita). Um terceiro semblante dessa insígnia vislumbra ainda, em alguma poesia, a possibilidade de encontro dos fatores estéticos e políticos contemporâneos, ou, por vezes, “contracontemporâneos”, isto é, a contrapelo do contemporâneo (a medida temporal qualitativa dos poemas, no entanto, está aí dada, seja pelo alisamento dos pelos, seja pelo escovão a desgrenhá-los), que, de todo modo, prestariam contas com o tempo que lhes foi legado. Continuar lendo