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por Rafael Zacca
11/4/2017

Marona,

a primeira vez que li um livro teu (e eu cheguei tarde aos teus livros) foi o Óleo das horas dormidas, um livro dividido em tipos de sono – cujo título me desagradou na época, mas hoje acho bonito – à época só fiz associar à tua figura, mas que hoje penso ser ele uma das expressões da insônia da época. Aliás, sempre que conversamos penso ser você uma espécie de Mandelstam deste século (porque aqui estou pensando naquele ensaio, já meio batido, do Agamben em que ele lê o Mandelstam, mas é preciso que a gente por aqui fale por outros termos). Será você talvez o primeiro de nós a não recuar para fazer um poema-carta contra a ditadura-inseto, será talvez um de nós a cair por uma causa justa, travestida (e nem por isso falsa, mas justamente por isso mais autêntica, como gosta de ressaltar a Agrado de Todo sobre mi madre, do Almodóvar – “soy muy autentica”) de patologia incurável, de eterno retorno do infantil, e será por isso mesmo o nosso ato político mais bonito e mais efetivo. Continuar lendo